Fatalismo de Cristiano Ronaldo PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 03 Dezembro 2008 12:04
031208_trophees.jpgCristiano Ronaldo, o melhor da France Football A conquista d´«A Bola de Ouro 2008» por Cristiano Ronaldo assemelhava-se a uma fatalidade. O prémio, instituído desde 1956 pelo prestigiado «France Football», não poderia conhecer outro destinatário face à soma aritmética da excelência produtiva e do número e natureza de títulos individuais e colectivos com o traço do CR7.
A eloquência do êxito de Cristiano Ronaldo só teve paralelo com a barrela que impôs aos seus concorrentes ao longo de vários meses, ressaltando o desportivismo de Messi (2º) e Fernando Torres (3º), ao assumirem a evidência da justiça do êxito do português.

Não sei se, alguma vez, a «Bola de Ouro» foi ganha de forma tão arrasadora (446 votos em 480 possíveis), mas sei que o «7» foi um vencedor universal, arrebanhando o triunfo de forma esmagadora nas seis Confederações de futebol (Europa, África, América do Sul, Ásia, Concacaf e Oceânia). Mais: dos 96 elementos do júri, Ronaldo mereceu a preferência de 77! (Messi, 6; Fernando Torres, 5; Xavi, 3; Casillas, 2; Villa, 1 e Buffon, 1, Senna, 1). Sintomático.

Ao vencer a «Bola de Ouro», Ronaldo junta-se a Eusébio (1965) e Figo (2000) entre os portugueses distinguidos com o mais consagrado e respeitado troféu individual do futebol mundial. Do mesmo modo, o «7» do Manchester United sucede a três monstros dos «diabos vermelhos» que também conquistaram o troféu - Law (1964), Bobby Charlton (1966) e Best (1968) - no tempo em que o clube de «Old Traford» era dirigido pelo mítico Matt Busby. Dito de outra forma: é através de Ronaldo que Alex Ferguson vê consagrado um seu jogador com um dos troféus mais cobiçados, o que, porventura, ajuda a perceber a cumplicidade existente entre um e outro. Por alguma razão Alex Ferguson afirma que Ronaldo é o melhor jogador que alguma vez treinou. O lendário escocês sabe do que fala...

Desta consagração de Ronaldo importa acentuar alguns pontos. Vejamos:

- a antecipação que faz, conquistando o troféu aos 23 anos, quando se sabe que os jogadores atingem a plenitude aos 27-29 anos;

- o reforço da imagem do futebolista «made in Portugal», depois da fase de desbaste e obstinada imposição de Figo, Rui Costa, Paulo Sousa, Fernando Couto, Pauleta...;

- a qualidade de fabrico dos jogadores portugueses, com o Sporting em destaque (Figo, Nani, Simão, Quaresma...)

- o papel dos clubes formadores na escolha dos clubes para onde despachar os jogadores com maior potencial de progressão;

- a certeza de que o futebol português é demasiado cinzento e pindérico para poder projectar um jogador até aos píncaros da fama e... do proveito.

- a nossa apetência genética para, quando Deus quer, obrigarmos o Mundo a olhar-nos com admiração e respeito face áquilo de que somos capazes (Saramago, Lobo Antunes, Paula Rego, Maria João Pires, José Mourinho...).

E agora Ronaldo? Tudo nele tem acontecido à mesma velocidade louca com que galga terreno com a bola até espalhar o pânico entre os adversários. A partir de agora estará ainda mais exposto, não, apenas, à agressividade e temor dos opositores, mas, também, à inveja que desperta naqueles que não lhe perdoam por ser quem é. Os campeões não se deixam abater.
por: Joaquim Rita in: RDP/Antena 1
 

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